Descrição
O sagui-de-tufos-brancos é um primata pequeno, de tufos auriculares brancos bem visíveis e cauda anelada. Nativo da Caatinga e de áreas de Mata Atlântica do Nordeste, sobrevive em vegetação seca e fragmentada explorando goma de árvores, frutos e insetos. Vive em grupos familiares muito coesos.
Características físicas
Pesa em torno de 300 a 400 g. A pelagem é acinzentada com marmoreado no dorso e uma mancha branca na fronte. Os tufos brancos ao redor das orelhas crescem com a idade. As unhas são em forma de garra, exceto no polegar do pé, e os incisivos inferiores são adaptados para perfurar cascas.
Habitat
Caatinga arbórea, brejos de altitude, restingas e fragmentos de Mata Atlântica nordestina. Ocupa capoeiras, quintais e áreas urbanas arborizadas, o que aumenta o contato com pessoas e animais domésticos.
Distribuição geográfica
Nativo do Nordeste brasileiro, principalmente de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Alagoas, Sergipe e Bahia. Foi introduzido no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outros estados, onde não é nativo.
Alimentação
Onívoro com forte componente de exsudatos: perfura troncos com os incisivos e consome goma das árvores, recurso disponível mesmo na seca. Come também frutos, flores, néctar, insetos, ovos e pequenos vertebrados.
Comportamento
Vive em grupos de cerca de cinco a quinze indivíduos, com cuidado cooperativo da prole. Comunica-se por assobios agudos e chamados de alarme. Marca território com cheiro e defende árvores de goma. É diurno e muito ágil em galhos finos.
Reprodução
Em geral apenas a fêmea dominante se reproduz, e gêmeos são frequentes. Machos e jovens do grupo carregam os filhotes nas costas. A fêmea pode ter mais de uma ninhada por ano quando o alimento é abundante.
Longevidade
Pode viver mais de 12 anos; em cativeiro há registros próximos ou superiores a 15 anos.
Papel ecológico
Ao abrir feridas em troncos, cria pontos de goma usados por outros animais, como aves e insetos. Dispersa sementes pequenas e controla artrópodes. Na área nativa é presa de gaviões, felinos pequenos e serpentes.
Estado de conservação
Menos Preocupante na sua distribuição natural. A questão de conservação mais delicada é justamente o contrário do risco de extinção: a espécie, quando solta fora da área nativa, ameaça primatas locais. Por isso a soltura de saguis apreendidos exige orientação técnica de órgãos ambientais. Comum na sua área nativa do Nordeste. Fora dela, populações introduzidas no Sudeste são tratadas como problema de conservação, por hibridação e competição com saguis locais.
Principais ameaças
Na área nativa: desmatamento, captura para criação doméstica, atropelamentos, eletrocussão e conflito em áreas urbanas. Alimentar saguis silvestres altera comportamento e favorece transmissão de doenças.
Curiosidades
Os tufos brancos são o caráter mais usado para distinguir a espécie de outros saguis do gênero. Muitos animais vistos em parques do Sudeste são híbridos resultantes de solturas irregulares, o que dificulta a identificação em campo.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Callithrix jacchus
- ICMBio — Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros
- ICMBio — espécies exóticas invasoras e translocações
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