Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Mico-leão-dourado: paisagem da Mata Atlântica ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Mata Atlântica

Mico-leão-dourado

Leontopithecus rosalia

Alimentação
Onívoro
Conservação (UICN)
EN — Em perigo
Publicação
Última atualização

Descrição

O mico-leão-dourado é um primata de pelagem dourada endêmico da Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Vive em grupos familiares e usa ocos de árvores como abrigo. A combinação de cativeiro, translocação e proteção de fragmentos tirou a espécie da iminência de extinção, sem eliminar o risco.

Características físicas

Pesa cerca de 500 a 700 g. A juba emoldura o rosto escuro e deu origem ao nome. Os dedos longos e as unhas em forma de garra (exceto no hálux) ajudam a explorar fendas. Não há cauda preênsil; a cauda é longa e usada para equilíbrio.

Habitat

Florestas de baixada e tabuleiros da Mata Atlântica fluminense, com ocos e diversidade de frutos e insetos. Grupos precisam de fragmentos conectados; isolados pequenos não sustentam populações viáveis a longo prazo.

Distribuição geográfica

Endêmico do estado do Rio de Janeiro, com núcleo histórico e atual na região de Silva Jardim, Casimiro de Abreu e entorno, incluindo a Reserva Biológica de Poço das Antas e áreas do Programa de Reintrodução. Não ocorre naturalmente em outros estados.

Alimentação

Onívoro. Come frutos, insetos, pequenos vertebrados e néctar. Forrageia em bromélias e fendas, o que o diferencia de saguis mais generalistas de dossel aberto.

Comportamento

Grupos territoriais de poucos adultos e jovens, com um casal reprodutor dominante na maior parte dos casos. Vocaliza ao amanhecer. Usa ocos para pernoite, o que o torna vulnerável à falta de árvores maduras.

Reprodução

Gêmeos são frequentes, como em outros calitriquídeos. O pai e outros membros do grupo carregam os filhotes. A estação reprodutiva concentra nascimentos na época de maior oferta de frutos em várias áreas estudadas.

Longevidade

Pode viver mais de 15 anos em cativeiro; na natureza a sobrevivência depende de predação, doença e qualidade do fragmento.

Papel ecológico

Dispersa sementes pequenas e controla insetos de frestas. É espécie-bandeira da Mata Atlântica de baixada do Rio de Janeiro.

Estado de conservação

A UICN classifica como Em Perigo. A Associação Mico-Leão-Dourado, o ICMBio e zoológicos parceiros mantêm manejo metapopulacional. Febre amarela, cães e isolamento de fragmentos são preocupações atuais. Em Perigo; a recuperação em relação ao século XX é um dos casos mais citados de conservação de primatas, mas a espécie permanece restrita e ameaçada.

Principais ameaças

Fragmentação, urbanização do interior fluminense, redes elétricas, predação por cães e gatos, tráfico residual e epidemias.

Curiosidades

No século XX a população selvagem chegou a poucas centenas de indivíduos. A reintrodução de animais nascidos em zoológicos foi decisiva para reocupar fragmentos. O ouro da pelagem não é pigmento metálico, e sim a refração da estrutura do pelo somada a carotenoides.

Fontes consultadas

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