Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Bugio-ruivo: paisagem da Mata Atlântica ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Mata Atlântica

Bugio-ruivo

Alouatta guariba

Alimentação
Folívoro
Conservação (UICN)
VU — Vulnerável
Publicação
Última atualização

Descrição

O bugio-ruivo é um macaco de uivo grave, produzido por um osso hioide expandido que atua como caixa de ressonância. Vive em grupos e alimenta-se sobretudo de folhas. É um dos primatas mais ouvidos — e nem sempre vistos — da Mata Atlântica.

Características físicas

Machos são maiores e, em muitas populações, mais avermelhados que as fêmeas, embora haja variação geográfica. O hioide inflado dá ao pescoço um contorno característico. A cauda é preênsil. Adultos machos podem ultrapassar 6 kg.

Habitat

Dossel de florestas da Mata Atlântica, inclusive fragmentos urbanos com copas conectadas. Tolera algum grau de perturbação se houver folhas o ano todo, mas grupos isolados sofrem com endogamia e doenças.

Distribuição geográfica

Mata Atlântica do Brasil e extremo nordeste da Argentina. Subespécies ou populações do norte e do sul têm histórias distintas; a literatura recente discute limites taxonômicos. No Brasil ocorre do Nordeste ao Rio Grande do Sul, em manchas.

Alimentação

Folívoro, com frutos quando disponíveis. A dieta de folhas exige longos períodos de descanso. Bugios bebem água de bromélias ou descem com menos frequência que outros macacos.

Comportamento

O coro matinal marca território. Grupos têm um ou poucos machos adultos e várias fêmeas. Deslocam-se pouco em comparação com muriquis, o que os torna vulneráveis a fragmentação fina da copa.

Reprodução

Nasce um filhote. O intervalo entre crias é anual ou maior, conforme nutrição. Fêmeas carregam o jovem no ventre e no dorso.

Longevidade

Pode viver mais de 15 a 20 anos. Surtos de febre amarela, porém, podem eliminar adultos em uma única estação.

Papel ecológico

Dispersa algumas sementes e consome folhas de espécies pioneiras e tardias. O silêncio prolongado de um fragmento após um surto é um indicador epidemiológico usado por pesquisadores.

Estado de conservação

A UICN avalia como Vulnerável. O ICMBio e secretarias estaduais monitoram mortandades. A vacinação humana não substitui a necessidade de corredores e de redução de contato com mosquitos em bordas urbanas. Vulnerável; surtos de febre amarela reduziram populações em vários estados do Sudeste e Sul.

Principais ameaças

Febre amarela, desmatamento, eletrocussão, atropelamento e cães quando o grupo desce ao chão.

Curiosidades

O uivo pode ser ouvido a mais de um quilômetro em condições favoráveis. O som não é um “grito de dor”: é comunicação territorial entre grupos.

Fontes consultadas

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