Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Cervo-do-pantanal: paisagem da Pantanal ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Pantanal

Cervo-do-pantanal

Blastocerus dichotomus

Alimentação
Herbívoro
Conservação (UICN)
VU — Vulnerável
Publicação
Última atualização

Descrição

O cervo-do-pantanal é o maior veado da América do Sul. As pernas escuras, as orelhas grandes e os cascos abertos, adaptados a pisos alagados, distinguem o animal. Vive em vazantes e pântanos e desaparece onde o hidrograma é alterado por diques e drenagem.

Características físicas

A altura na cernelha pode ultrapassar 1,1 m. A pelagem é ruivo-dourada. Machos possuem galhadas ramificadas, trocadas anualmente. As membranas e o afastamento dos cascos reduzem o afundamento na lama. A cauda é curta e escura na ponta.

Habitat

Campos inundáveis, baceiros, vazantes e bordas de rios de planície. Não é um cervídeo de floresta fechada. Na seca, recua para capões e áreas ainda úmidas.

Distribuição geográfica

Historicamente ampla na América do Sul úmida; hoje fragmentada no Brasil (Pantanal, Araguaia, trechos amazônicos meridionais e planícies do Paraná), Bolívia, Peru, Paraguai e Argentina. Foi extinta no Uruguai.

Alimentação

Herbívoro. Come plantas aquáticas e gramíneas de vazante. A seletividade muda com a cheia. Compete com o gado onde o pastoreio é intenso nas mesmas vazantes.

Comportamento

Pode ser solitário ou viver em pequenos grupos. É bom nadador. Mais ativo no crepúsculo. Machos usam as galhadas em interações da estação reprodutiva.

Reprodução

Nasce um filhote após gestação longa, da ordem de oito meses. A fêmea esconde o jovem na vegetação alta. O recrutamento é sensível a queimadas de vazante.

Longevidade

Pode viver cerca de 10 a 12 anos na natureza, com registros maiores em cativeiro.

Papel ecológico

Pastador de áreas úmidas. Ao abrir trilhas na vegetação aquática, altera o micro-habitat de aves e jacarés jovens. É indicador de planícies ainda pulsantes.

Estado de conservação

Vulnerável na UICN. O ICMBio e universidades acompanham núcleos do Araguaia e do Pantanal. Hidrelétricas a montante e diques locais são ameaças estruturais. Vulnerável; é o maior cervídeo da América do Sul e depende de áreas alagáveis.

Principais ameaças

Drenagem, hidrelétricas, queimadas, caça, doenças de bovinos e atropelamentos em aterros.

Curiosidades

Os cascos largos funcionam como raquetes na lama. Em água funda, o cervo nada com o corpo quase submerso e apenas a cabeça visível — comportamento documentado em campos pantaneiros.

Fontes consultadas

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