Descrição
O veado-campeiro é um cervídeo de campos abertos, de pelagem clara e porte médio. Ao contrário do cervo-do-pantanal, não depende de lamaçais profundos: vive em gramíneas e em cerrados campestres. Machos têm galhadas relativamente simples, de três pontas típicas.
Características físicas
A altura na cernelha fica em torno de 70 cm. A pelagem é baia a acinzentada, com ventre claro. As orelhas são grandes. Os machos perdem as galhadas periodicamente. Os filhotes nascem pintados e perdem as manchas com o crescimento.
Habitat
Campos nativos, coxilhas, cerrados abertos e bordas de áreas úmidas rasas. Evita mata fechada. A homogeneização da paisagem por soja ou silvicultura contínua reduz abrigo e pasto nativo.
Distribuição geográfica
Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, em núcleos isolados. No Brasil ocorre no Pampa, no Cerrado e em partes do Pantanal. A subespécie do sul é uma das mais citadas em planos de campos nativos.
Alimentação
Herbívoro seletivo de gramíneas e ervas de campo. A dieta muda com a estação. Não é um ramoneador de dossel.
Comportamento
Vive em grupos pequenos. É diurno e crepuscular. Foge em disparada pelo campo aberto. Machos disputam fêmeas na estação reprodutiva com exibições de galhada.
Reprodução
Nasce um filhote, ocasionalmente dois. A fêmea afasta-se do grupo para parir. O jovem permanece escondido na vegetação baixa nos primeiros dias.
Longevidade
Cerca de 10 a 12 anos em condições conhecidas; a mortalidade por cães e caça reduz a média em áreas abertas.
Papel ecológico
Pastador de campo nativo. A presença em coxilhas indica mosaico de gramíneas ainda funcional. Compete com ovinos e bovinos quando o pastoreio é excessivo.
Estado de conservação
Quase Ameaçado na UICN. Projetos de fazendas conservacionistas no Pampa e no Cerrado buscam manter rebanhos compatíveis com o cervídeo. Caça ilegal persiste. Quase ameaçado globalmente; no Brasil as populações de Cerrado e de Pampa estão fragmentadas e são sensíveis à conversão de campos.
Principais ameaças
Conversão de campos, caça, cães, cercas inadequadas e atropelamentos.
Curiosidades
O nome bezoarticus alude aos bezoares, concreções digestivas que se atribuía a cervídeos em textos antigos. Biologicamente, o que importa é a associação da espécie a campos, não a florestas.
Fontes consultadas
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