Descrição
O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do planeta. Respira ar atmosférico por uma bexiga natatória vascularizada e sobe à superfície em intervalos regulares. Vive em lagos e rios de águas calmas da Amazônia e é peça central da pesca de várzea.
Características físicas
O corpo é alongado, com escamas grandes e uma nadadeira dorsal posterior alongada, contínua com a anal na extremidade do corpo. A cabeça é óssea e achatada. Adultos podem ultrapassar 2 m; exemplares históricos maiores tornaram-se raros. A coloração escurece no dorso e avermelha na cauda na reprodução.
Habitat
Lagos de várzea, ressaca e rios de corrente lenta, com oxigênio por vezes baixo — condição que favorece peixes de respiração aérea. Evita corredeiras. Juvenis usam áreas mais rasas e vegetadas.
Distribuição geográfica
Bacia amazônica em sentido amplo. Há discussões taxonômicas sobre mais de uma espécie de Arapaima em diferentes sub-bacias. Fora da área nativa, introduções em açudes e rios de outras regiões do Brasil geram preocupação ecológica.
Alimentação
Predador. Alimenta-se de peixes, e jovens também consomem invertebrados. A captura ocorre por sucção rápida junto à superfície ou em meio à vegetação.
Comportamento
Sobe para respirar de forma previsível, o que historicamente facilitou a pesca com arpão. Casais cuidam da prole: o macho frequentemente guarda o cardume de alevinos junto à cabeça, onde manchas escuras podem orientar os filhotes.
Reprodução
Reproduz-se na vazante e no início da cheia, em ninhos no fundo de lagos. O cuidado parental aumenta a sobrevivência dos alevinos. A maturidade ocorre após alguns anos, o que exige cotas de pesca bem dimensionadas.
Longevidade
Pode viver mais de 15 a 20 anos; idades precisas variam com a leitura de estruturas ósseas e ainda são objeto de estudo.
Papel ecológico
Predador de lago. A pesca manejada, quando baseada em contagem anual, tem sido usada como incentivo à proteção de lagos inteiros por comunidades ribeirinhas.
Estado de conservação
A UICN mantém Dados Insuficientes por incerteza taxonômica e demográfica. O Ibama instituiu programas de manejo sustentável no Amazonas. A espécie está no Anexo II da CITES, o que regula o comércio internacional. Populações nativas sofrem pressão de pesca; o manejo comunitário em reservas de várzea é a principal estratégia nacional. A espécie consta do Anexo II da CITES.
Principais ameaças
Pesca ilegal de juvenis, sobrepesca em lagos sem acordo comunitário, degradação de várzeas e introduções fora da bacia nativa.
Curiosidades
A respiração aérea permite sobreviver em águas pobres em oxigênio, mas também obriga o peixe a expor a cabeça com regularidade. Escamas grandes já foram usadas como lixa artesanal em comunidades ribeirinhas.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Arapaima gigas
- Ibama — Programa de manejo do pirarucu
- CITES — Arapaima gigas (Apêndice II)
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