Descrição
O jacaré-açu é o maior crocodiliano da Amazônia e um dos maiores das Américas. A coloração adulta é muito escura, com faixas claras na mandíbula. Após décadas de caça para o couro, populações se recompuseram em vários rios, embora a pressão local persista.
Características físicas
Pode ultrapassar 4 m, com registros históricos ainda maiores. A cabeça é larga, o dorso tem osteodermos proeminentes e os olhos e narinas ficam no alto do crânio, permitindo respirar quase submerso. Filhotes têm faixas transversais mais nítidas.
Habitat
Rios de água preta e branca, lagos de várzea, igapós e canais com vegetação de margem. Termorregula em bancos de areia e troncos. Evita apenas trechos de correnteza extrema.
Distribuição geográfica
Bacia amazônica no Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia e Guiana. No Brasil é típico da Amazônia e não ocorre como residente no Pantanal, onde outros jacarés dominam.
Alimentação
Carnívoro oportunista. Jovens comem insetos, crustáceos e peixes pequenos; adultos capturam peixes grandes, capivaras, aves aquáticas e, ocasionalmente, outros vertebrados que se aproximam da água.
Comportamento
Pode ser visto em densidades altas em lagos protegidos. Vocaliza na reprodução. Fêmeas guardam ninhos de material vegetal. É mais ativo no entardecer, mas se aquece ao sol durante o dia.
Reprodução
A fêmea constrói ninho em terra firme próxima à água. A temperatura da ninhada influencia a razão sexual, como em outros crocodilianos. Os filhotes permanecem agrupados e respondem a chamados da mãe.
Longevidade
Crocodilianos grandes podem viver várias décadas; estimativas para o jacaré-açu selvagem situam-se frequentemente acima de 30 anos, com dados ainda incompletos.
Papel ecológico
Predador aquático de topo. Ao abrir trilhas e ao predar peixes e mamíferos, participa da dinâmica de lagos de várzea. Ninhos abandonados podem ser usados por outros animais.
Estado de conservação
A UICN avalia a espécie como Menos Preocupante após a recuperação demográfica. O comércio internacional de couro foi o motor do colapso anterior; hoje o monitoramento de caça e de hidrelétricas é prioritário. Recuperou-se da exploração comercial intensa do século XX e hoje não figura entre as espécies mais ameaçadas; o manejo e o combate à caça ilegal continuam necessários.
Principais ameaças
Caça ilegal, degradação de lagos, pesca predatória que reduz presas e alteração do regime hidrológico.
Curiosidades
O nome açu vem do tupi e indica tamanho grande. Em alguns lagos de unidades de conservação, a espécie voltou a ser observada em concentrações que não se viam desde meados do século XX.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Melanosuchus niger
- ICMBio — répteis amazônicos
- Museu Paraense Emílio Goeldi — fauna amazônica
Encontrou um erro factual? Use a página de correções.