Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Peixe-boi-da-Amazônia: paisagem da Amazônia ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Amazônia

Peixe-boi-da-Amazônia

Trichechus inunguis

Alimentação
Herbívoro
Biomas
Amazônia
Conservação (UICN)
VU — Vulnerável
Publicação
Última atualização

Descrição

O peixe-boi-da-Amazônia é o único peixe-boi restrito à água doce. Diferencia-se do peixe-boi-marinho pela ausência de unhas nas nadadeiras peitorais e por uma mancha irregular clara no peito e no ventre. Vive em rios, lagos e florestas inundadas da bacia amazônica e alimenta-se de plantas aquáticas.

Características físicas

O corpo é fusiforme, com pele lisa e escura. Adultos medem em geral entre 2,5 e 3 m e pesam algumas centenas de quilos. A nadadeira caudal é em forma de pá. Os lábios são móveis e permitem arrancar vegetação. Não há unhas nas nadadeiras, caráter diagnóstico da espécie.

Habitat

Prefere águas calmas de lagos de várzea, furos e rios de corrente moderada, com bancos de macrófitas. Na cheia, entra na floresta inundada para comer folhas e frutos. Na seca, recua para poços mais fundos.

Distribuição geográfica

Endêmico da bacia do Amazonas-Solimões e afluentes, do Peru e Equador ao estuário no Pará, sem ocorrer no mar. No Brasil está associado à Amazônia Legal, com registros em unidades de conservação de várzea.

Alimentação

Herbívoro estrito. Consome gramíneas aquáticas, aguapés, capins de beira e, na cheia, folhas e frutos de árvores inundadas. Precisa ingerir grande volume diário de plantas para manter o metabolismo.

Comportamento

Discreto e geralmente solitário ou em pequenos grupos familiares. Sobe à superfície para respirar em intervalos que variam com a atividade. Evita áreas de tráfego intenso. Vocalizações de baixa frequência ocorrem entre fêmea e filhote.

Reprodução

A gestação dura cerca de um ano. Nasce um filhote, que nada junto à mãe e mama por muitos meses. A maturidade sexual é tardia, e o intervalo entre partos é longo.

Longevidade

Pode ultrapassar 30 anos, com base em animais acompanhados em programas de reabilitação e em estimativas de campo.

Papel ecológico

Ao consumir grandes quantidades de plantas aquáticas, altera a biomassa vegetal de lagos e abre clareiras na vegetação flutuante, o que influencia oxigenação e habitat de peixes.

Estado de conservação

A UICN avalia a espécie como Vulnerável. O ICMBio mantém o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e ações de reabilitação e soltura. A caça ilegal diminuiu em alguns rios, mas não cessou. Vulnerável nas avaliações nacionais do ICMBio.

Principais ameaças

Caça para carne e couro, emalhamento em redes, colisão com motores, perda de lagos por assoreamento e alteração do pulso de cheia por hidrelétricas. Filhotes órfãos chegam com frequência a centros de reabilitação.

Curiosidades

É o menor dos peixes-bois vivos e o único que não entra em água salgada. A mancha ventral clara ajuda a distinguir a espécie em fotos subaquáticas e em animais encalhados.

Fontes consultadas

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