Descrição
A piranha-vermelha é o peixe que mais alimenta mitos sobre rios sul-americanos. O corpo alto e comprimido, a mandíbula projetada e os dentes triangulares são reais; a imagem de cardumes que devoram grandes animais em minutos, não. É um predador e necrófago oportunista, essencial na reciclagem de matéria orgânica.
Características físicas
Adultos costumam medir de 20 a 30 cm, com registros maiores. O dorso é escuro e acinzentado, o ventre e a região do peito são avermelhados, mais intensos em animais maduros. Os dentes se encaixam como lâminas de tesoura e são substituídos ao longo da vida. A musculatura mandibular gera mordida muito forte para o tamanho do peixe.
Habitat
Baías, corixos, lagos de várzea e rios de corrente lenta, com vegetação marginal. Na seca, concentra-se em poços; na cheia, dispersa-se pela planície inundada, onde os juvenis encontram abrigo.
Distribuição geográfica
Bacias do Amazonas, do Paraguai-Paraná e do Essequibo, no Brasil e em países vizinhos. No Pantanal e na Amazônia é comum e visível. Introduções em açudes e represas fora da área nativa são um problema ecológico, não parte da distribuição natural.
Alimentação
Come peixes, insetos, crustáceos, sementes e carniça. Ataques a animais grandes são raros e associados a carcaças, feridas ou poços superaquecidos com pouca comida. Juvenis mordem nadadeiras e escamas de outros peixes, comportamento chamado de lepidofagia parcial.
Comportamento
Forma cardumes que, segundo pesquisas de comportamento, funcionam mais como defesa contra predadores — jacarés, botos, aves — do que como estratégia de caça coletiva. Comunica-se por sons produzidos com a bexiga natatória, audíveis quando o peixe é manuseado.
Reprodução
Desova na cheia, em áreas rasas com vegetação. O casal defende o ninho e os ovos, comportamento territorial marcante nessa fase. O crescimento inicial é rápido em ambientes de várzea.
Longevidade
Pode viver cerca de 10 anos ou mais em condições favoráveis, com estimativas maiores em cativeiro.
Papel ecológico
Atua como predador e como faxineira de rios: remove carcaças e animais debilitados, o que reduz a decomposição em poços de seca. Serve de presa a jacarés, aves aquáticas, botos e peixes maiores.
Estado de conservação
Menos Preocupante desde a avaliação de 2020, por ampla distribuição e populações estáveis. As pressões são indiretas: barramentos, desmatamento e poluição por garimpo e agrotóxicos alteram a planície de inundação de que a espécie depende. Abundante em planícies de inundação. Não é alvo de pesca comercial de grande escala e não há subpopulações reconhecidas como ameaçadas.
Principais ameaças
Alteração de várzeas por barragens, contaminação da água, desmatamento de margens e coleta para aquariofilia. Mortes por medo, quando pescadores matam exemplares capturados sem necessidade, também ocorrem.
Curiosidades
O nome piranha vem do tupi e é traduzido com frequência como peixe-dente. A reputação de ferocidade foi amplificada por relatos de viagem do início do século XX; a biologia registrada em campo é mais próxima de um oportunista cauteloso do que de um monstro.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Pygocentrus nattereri
- FishBase — Pygocentrus nattereri
- Embrapa Pantanal — peixes de áreas úmidas
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