Descrição
A ariranha é a maior lontra do mundo e o mais social dos mustelídeos aquáticos. Vive em grupos familiares ruidosos que patrulham rios, lagos e igapós, pescando em conjunto. A mancha branca irregular na garganta funciona como impressão digital: nenhum indivíduo tem o mesmo desenho, o que permite identificar animais em fotografias.
Características físicas
Adultos podem passar de 1,5 m de corpo mais cauda achatada em forma de remo. A pelagem é curta, densa e impermeável, de tom castanho-escuro que parece quase preto quando molhada. As patas são amplamente palmadas e as narinas e orelhas fecham na imersão. A cabeça é larga, com vibrissas grossas que detectam movimento na água turva.
Habitat
Rios de corrente lenta, lagos de várzea, igapós e canais com barrancos onde o grupo escava tocas e abre áreas de descanso. Precisa de margens com vegetação, água piscosa e trechos sem tráfego intenso de embarcações.
Distribuição geográfica
América do Sul a leste dos Andes, nas bacias do Orinoco, do Amazonas e do Paraná-Paraguai. No Brasil ocorre na Amazônia e no Pantanal, com populações relictas no alto Paraná. Foi extinta no Uruguai e está reduzida a pouquíssimos núcleos no Paraguai e na Argentina.
Alimentação
Come sobretudo peixes, capturados com as mãos e consumidos na superfície ou em pedras e troncos. Complementa a dieta com crustáceos e, ocasionalmente, pequenos répteis. Um grupo consome vários quilos de peixe por dia, o que exige rios produtivos.
Comportamento
Vive em grupos de poucos a mais de dez indivíduos, formados por um casal reprodutor e sua prole. É diurna e extremamente vocal: assobios, roncos e gritos coordenam a pesca e avisam sobre intrusos. O grupo marca latrinas coletivas nas margens, usadas também como pontos de comunicação química.
Reprodução
Só o casal dominante se reproduz. Nascem em média um a cinco filhotes em toca escavada no barranco, e os filhos mais velhos ajudam a cuidar dos irmãos. Os jovens levam semanas para nadar com segurança e dependem do grupo por vários meses.
Longevidade
Pode viver cerca de 10 a 13 anos na natureza, com registros mais longos em cativeiro.
Papel ecológico
Predador de topo dos rios amazônicos e pantaneiros. Ao concentrar restos de peixe e fezes nas margens, transfere nutrientes da água para a terra. A presença de grupos estáveis indica trechos de rio com estoque de peixe saudável e pouca perturbação humana.
Estado de conservação
A UICN classifica a ariranha como Em Perigo. A caça comercial para peles, nas décadas de 1950 e 1960, quase eliminou a espécie no Brasil; o comércio internacional foi proibido e várias populações se recuperaram em unidades de conservação. A espécie consta do Apêndice I da CITES. Em Perigo na avaliação global da UICN e Vulnerável na avaliação nacional brasileira citada pelo grupo de especialistas em lontras.
Principais ameaças
Garimpo e contaminação por mercúrio, hidrelétricas que alteram rios, desmatamento de margens, conflito com pescadores, perturbação por turismo próximo demais das tocas e doenças transmitidas por cães.
Curiosidades
O nome ariranha é usado no Brasil também para a lontra-neotropical em algumas regiões, o que gera confusão: a ariranha verdadeira é bem maior e vive em grupos. A mancha da garganta é tão distinta que pesquisadores mantêm catálogos fotográficos de indivíduos conhecidos.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Pteronura brasiliensis
- Instituto Mamirauá — ficha de Pteronura brasiliensis
- IUCN SSC Otter Specialist Group
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