Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Onça-pintada: paisagem da Amazônia ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Amazônia

Onça-pintada

Panthera onca

Alimentação
Carnívoro
Conservação (UICN)
NT — Quase ameaçada
Publicação
Última atualização

Descrição

A onça-pintada é o maior felino das Américas e o único representante vivo do gênero Panthera no continente. O corpo compacto, a cabeça larga e as rosetas pretas sobre fundo amarelo-dourado distinguem o animal de outros felinos brasileiros. Ocorre em florestas, áreas alagáveis e mosaicos de cerrado, sempre associada à disponibilidade de presas e à cobertura que permite a aproximação silenciosa.

Características físicas

Adultos medem, em média, entre 1,1 e 1,8 m de corpo, com cauda relativamente curta. Machos são maiores que fêmeas e podem ultrapassar 100 kg em populações de planícies alagáveis, como o Pantanal. A mandíbula robusta e os caninos curtos e fortes estão associados a uma mordida capaz de perfurar o crânio de presas grandes. A forma melânica, conhecida como onça-preta, é a mesma espécie: as rosetas permanecem visíveis sob luz adequada.

Habitat

Usa florestas densas, matas ciliares, igapós, várzeas e campos inundáveis. Evita áreas muito abertas e altamente convertidas, mas pode atravessar pastagens quando há corredores de vegetação. Depende de água permanente e de presas de médio e grande porte.

Distribuição geográfica

A distribuição histórica ia do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina. No Brasil, ainda ocorre na Amazônia, no Pantanal, em trechos do Cerrado e em remanescentes da Mata Atlântica. Populações da Mata Atlântica estão isoladas e reduzidas. A espécie também está presente em países vizinhos da bacia amazônica e do Chaco.

Alimentação

Predador generalista de vertebrados. A dieta inclui capivaras, queixadas, veados, jacarés, antas e, em menor proporção, animais menores. No Pantanal, estudos de fezes e carcaças mostram forte participação de capivaras e jacarés. A onça costuma arrastar a presa para a vegetação e pode cobri-la para retornar depois.

Comportamento

Em geral solitária, com territórios marcados por arranhões, fezes e urina. É mais ativa no crepúsculo e à noite, embora também cace de dia em áreas pouco perturbadas. Nada com facilidade e atravessa rios largos. O encontro entre adultos ocorre principalmente na reprodução.

Reprodução

O cio pode ocorrer em diferentes épocas do ano. A gestação dura cerca de 90 a 110 dias e nascem em média um a quatro filhotes, que permanecem com a mãe por até dois anos. O intervalo entre ninhadas é longo, o que torna a recuperação populacional lenta após perdas de fêmeas adultas.

Longevidade

Na natureza, indivíduos observados em estudos de longo prazo costumam viver cerca de 11 a 15 anos. Em cativeiro, há registros de mais de 20 anos.

Papel ecológico

Como predador de topo, regula populações de herbívoros e mesocarnívoros e influencia o uso do espaço por outras espécies. A presença estável de onças é usada como indicadora de paisagens ainda capazes de sustentar cadeias alimentares longas.

Estado de conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica a espécie como Quase Ameaçada. No Brasil, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) coordena pesquisas e o Plano de Ação Nacional para a onça-pintada. A perda de habitat, o isolamento de populações e o conflito com a pecuária são os principais problemas. A espécie consta de planos nacionais de conservação do ICMBio e é tratada como ameaçada em avaliações brasileiras recentes; a categoria global da UICN é Quase Ameaçada.

Principais ameaças

Desmatamento, fragmentação, caça de presas, retaliação após ataques a rebanhos e atropelamentos. Garimpo e hidrelétricas alteram várzeas e corredores fluviais na Amazônia. No Pantanal, queimadas extensas e secas extremas reduzem abrigo e presas.

Curiosidades

Diferentemente do leão e do tigre, a onça-pintada frequentemente mata presas grandes com uma mordida no crânio, e não apenas no pescoço. É o felino com maior força de mordida em relação ao tamanho entre os grandes Panthera. Pinturas e cerâmicas de povos indígenas da Amazônia e do Centro-Oeste representam o animal há séculos.

Fontes consultadas

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