Descrição
O muriqui-do-sul, ou mono-carvoeiro, é um macaco grande e claro, com cauda preênsil e membros longos. Vive em grupos que se dividem e se reúnem (fissão-fusão) e é conhecido pelo baixo nível de agressão entre machos. Alimenta-se de folhas e frutos no dossel da Mata Atlântica.
Características físicas
Pode ultrapassar 12 kg. O corpo é coberto por pelos bege-acinzentados; a face é escura no adulto. Os polegares são vestigiais, adaptação à braquiação e ao deslocamento suspenso. A cauda preênsil funciona como quinto membro.
Habitat
Florestas ombrófilas e semidecíduas da Mata Atlântica, em encostas e vales com dossel contínuo. Grupos exigem áreas grandes; fragmentos pequenos isolam linhagens.
Distribuição geográfica
Sudeste e sul do Brasil, em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, com populações em parques estaduais e nacionais da Serra do Mar e do interior. Não deve ser confundido com o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.
Alimentação
Folívoro-frugívoro. Consome folhas jovens, frutos e flores. A dieta folhosa exige tempo longo de descanso para digestão. É um dos principais dispersores de sementes grandes da Mata Atlântica onde ainda ocorre.
Comportamento
Grupos podem ser grandes e se fragmentar ao longo do dia. Machos tendem a permanecer no grupo natal; o sistema social é descrito como pouco hierárquico em comparação com outros atelídeos. Deslocam-se no dossel e raramente descem ao chão.
Reprodução
O intervalo entre nascimentos é longo, de dois a três anos. Nasce um filhote, carregado no ventre e depois no dorso. A maturidade tardia torna a recuperação lenta.
Longevidade
Pode ultrapassar 20 anos. Fêmeas observadas em estudos de longo prazo em São Paulo confirmam vida longa quando o fragmento é protegido.
Papel ecológico
Dispersor de sementes de árvores de fruto grande, função que poucos animais restantes ainda exercem na Mata Atlântica fragmentada.
Estado de conservação
A UICN classifica como Em Perigo. Universidades paulistas e o ICMBio monitoram grupos. Corredores entre parques são a medida mais citada para evitar endogamia. Em Perigo; é um dos maiores primatas das Américas e sobrevive em fragmentos da Serra do Mar e do interior de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.
Principais ameaças
Desmatamento histórico, isolamento de populações, caça residual, infraestrutura linear e doenças.
Curiosidades
O nome “muriqui” vem de línguas indígenas do litoral. Observadores descrevem abraços frequentes entre membros do grupo, comportamento social documentado em estudos de campo e não apenas em divulgação.
Fontes consultadas
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