Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de João-de-barro: paisagem da Pampa ao fundo e silhueta esquemática do grupo aves

Aves · Pampa

João-de-barro

Furnarius rufus

Grupo
Aves
Alimentação
Insetívoro
Conservação (UICN)
LC — Menos preocupante
Publicação
Última atualização

Descrição

O joão-de-barro é um passarinho de dorso ruivo que constrói um ninho fechado de lama, com câmara interna e entrada lateral. Vive em áreas abertas da América do Sul e é especialmente conspícuo no Pampa, em pomares e em postes. A ficha enfatiza o bioma campestre, sem negar a ampla distribuição.

Características físicas

Mede cerca de 18 a 20 cm. A plumagem é pardo-ruiva, mais clara no ventre. O bico é levemente curvo, adequado a revolver solo. Os sexos são semelhantes. As pernas são fortes, de hábito terrestre.

Habitat

Campos, pomares, beiras de estrada, fazendas e cidades com barro disponível na estação chuvosa. Evita interior de floresta densa. Precisa de um suporte — galho, poste, forquilha — para assentar o ninho.

Distribuição geográfica

Ampla na América do Sul extra-amazônica. No Brasil ocorre do Nordeste ao Sul, com grande visibilidade no Pampa e no interior. A expansão acompanhou o desmatamento de áreas abertas.

Alimentação

Insetívoro. Captura insetos e outros invertebrados no solo. Ocasionalmente aproveita restos em áreas rurais, sem deixar de ser um forrageador de chão.

Comportamento

Vive em casais territoriais. Ambos constroem o ninho, viagem após viagem com bolas de barro. O canto é estridente e repetido. Defende o ninho de invasores, inclusive de outras aves que tentam usurpar a câmara.

Reprodução

O ninho de barro tem parede espessa e uma entrada que se curva, dificultando predadores. A postura tem três a cinco ovos. Ninhos velhos podem ser reaproveitados por outras espécies depois de abandonados.

Longevidade

Pode viver mais de 8 a 10 anos; anilhamentos em áreas urbanas do Sul confirmam indivíduos fiéis a territórios.

Papel ecológico

Controla invertebrados de solo. Os ninhos abandonados viram abrigo de andorinhas, corujas pequenas e insetos. A espécie é um engenheiro de micro-habitat em postes e árvores isoladas.

Estado de conservação

Menos Preocupante. Não requer plano de emergência. A retirada de ninhos ativos em construções deve ser evitada na estação reprodutiva, por legislação de fauna. Comum e em expansão em paisagens abertas; o ninho de barro é um dos elementos mais reconhecíveis da cultura rural do Sul e do interior.

Principais ameaças

Atropelamentos, gatos e destruição de ninhos ativos. Em escala de bioma, a espécie não está em colapso.

Curiosidades

O ninho pode pesar vários quilos quando úmido. A divisão interna cria uma antecâmara. O joão-de-barro é ave-símbolo informal de vários municípios do interior, o que não substitui fichas de espécies realmente ameaçadas.

Fontes consultadas

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