Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Arara-azul-de-lear: paisagem da Caatinga ao fundo e silhueta esquemática do grupo aves

Aves · Caatinga

Arara-azul-de-lear

Anodorhynchus leari

Grupo
Aves
Alimentação
Herbívoro
Biomas
Caatinga
Conservação (UICN)
EN — Em perigo
Publicação
Última atualização

Descrição

A arara-azul-de-lear é uma arara grande endêmica da Caatinga do norte da Bahia. Distingue-se da arara-azul-grande pelo tamanho um pouco menor e pela distribuição restrita às serras e aos licurizais do Raso da Catarina e entorno. A dieta depende fortemente do fruto da palmeira licurí.

Características físicas

A plumagem é azul-cobalto, com pele amarela nu ao redor dos olhos e na base da mandíbula. O bico é maciço, adaptado a quebrar cocos de licurí. Adultos medem cerca de 70 a 75 cm. Não há dimorfismo sexual evidente na cor.

Habitat

Caatinga com palmeiras Syagrus coronata (licurí) para alimentação e paredões areníticos ou calcários para dormitórios e ninhos em fendas. A espécie não ocupa caatinga degradada sem palmeiras adultas.

Distribuição geográfica

Endêmica do Brasil, com ocorrência confirmada no nordeste da Bahia, especialmente na região do Raso da Catarina e municípios vizinhos. A área reproduzível é pequena em escala nacional.

Alimentação

Especialista em licurí, cujo endosperma fornece gordura e energia. Complementa a dieta com outros frutos nativos quando disponíveis. A escassez de palmeiras adultas limita o número de araras.

Comportamento

Social, forma bandos que se deslocam entre áreas de alimentação e sítios de dormida. Vocaliza em voo com grasnidos graves. É fiel a fendas específicas de paredões.

Reprodução

Nidifica em cavidades de falésias. Põe em geral um a dois ovos. O sucesso reprodutivo depende de perturbação baixa nos paredões e de alimento nas imediações.

Longevidade

Como outras araras grandes, pode viver várias décadas; indivíduos acompanhados em programas de conservação superam 20 anos.

Papel ecológico

Dispersa e predaciona sementes de licurí. A presença de bandos indica licurizais ainda funcionais e paredões pouco perturbados.

Estado de conservação

A UICN rebaixou a espécie de Criticamente em Perigo para Em Perigo após o crescimento populacional associado a proteção e educação ambiental. O ICMBio e parceiros monitoram dormitórios. O tráfico permanece risco. Ainda ameaçada; saiu do patamar mais crítico graças à proteção de sítios de dormida e à preservação da palmeira licurí.

Principais ameaças

Perda de licurizais, captura para tráfico, perturbação de ninhos e queimadas. O sobrepastejo que impede a regeneração da palmeira reduz alimento futuro.

Curiosidades

A espécie só foi descrita formalmente em 1856, a partir de exemplares de cativeiro, e a localidade precisa na natureza demorou a ser confirmada. O nome homenageia o poeta Edward Lear, que ilustrava psitacídeos.

Fontes consultadas

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