Descrição
A anta é o maior mamífero terrestre nativo do Brasil. O corpo maciço, as pernas curtas e a probóscide móvel — um pequeno tromba formada por nariz e lábio superior — dão à espécie uma silhueta única. Come frutos e folhas, nada bem e cumpre um papel enorme na dispersão de sementes grandes.
Características físicas
Adultos pesam com frequência 180 a 250 kg e medem cerca de 2 m de comprimento. A pelagem é acinzentada a marrom-escura, com uma crista de pelos duros na nuca. Os filhotes nascem listrados e pintados de branco, camuflagem que desaparece com o crescimento. As patas têm quatro dedos na frente e três atrás, adaptação a solos moles.
Habitat
Florestas de terra firme e várzea, matas de galeria, cerradões e capões pantaneiros, sempre associados a água. Usa poças e rios para se refrescar e escapar de predadores. Precisa de áreas extensas com frutificação ao longo do ano.
Distribuição geográfica
Da Colômbia e Venezuela ao norte da Argentina, a leste dos Andes. No Brasil ocorre na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal e em remanescentes da Mata Atlântica. Desapareceu da Caatinga, onde é considerada regionalmente extinta.
Alimentação
Herbívora frugívora e folívora. Consome frutos caídos, folhas, brotos e plantas aquáticas. Engole sementes grandes que atravessam o trato digestivo intactas e germinam longe da árvore-mãe, função que poucos animais brasileiros ainda desempenham nessa escala.
Comportamento
Solitária e sobretudo noturna e crepuscular. Percorre trilhas fixas entre áreas de alimentação e água. Nada e submerge com facilidade, andando pelo fundo de rios. Comunica-se por assobios agudos e marca território com urina.
Reprodução
A gestação é longa, de cerca de 13 meses, e nasce um único filhote. A fêmea cria o jovem sozinha por vários meses. O intervalo entre partos, somado à maturidade tardia, torna a reposição populacional lentíssima.
Longevidade
Pode viver cerca de 25 a 30 anos, com registros nesse patamar em cativeiro e estimativas semelhantes em animais monitorados.
Papel ecológico
É chamada de jardineira da floresta pelo volume de sementes que transporta. O pisoteio e a herbivoria também influenciam a regeneração de clareiras. A perda de antas empobrece a composição de árvores de fruto grande a longo prazo.
Estado de conservação
Vulnerável na UICN. O ICMBio avaliou a espécie bioma a bioma justamente porque uma média nacional otimista, puxada pela Amazônia, esconderia o colapso no Cerrado e na Mata Atlântica. Iniciativas de pesquisa acompanham saúde, genética e atropelamentos. Vulnerável no Brasil, com quadros muito diferentes por bioma: Menos Preocupante na Amazônia, Quase Ameaçada no Pantanal, Em Perigo no Cerrado e na Mata Atlântica e Regionalmente Extinta na Caatinga, segundo a avaliação publicada pelo ICMBio.
Principais ameaças
Caça, desmatamento, atropelamentos em rodovias, incêndios florestais, doenças transmitidas por rebanhos e fragmentação que isola populações pequenas.
Curiosidades
A tromba curta é preênsil e serve para puxar folhas e escolher frutos. Antas são parentes distantes dos cavalos e dos rinocerontes, não dos porcos, apesar da aparência. Usar o nome do animal como insulto contradiz uma biologia bastante sofisticada.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Tapirus terrestris
- ICMBio — Avaliação do risco de extinção da anta brasileira
- ICMBio — fauna brasileira e planos de ação
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