Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Zorrilho: paisagem da Pampa ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Pampa

Zorrilho

Conepatus chinga

Alimentação
Insetívoro
Conservação (UICN)
LC — Menos preocupante
Publicação
Última atualização

Descrição

O zorrilho, também chamado de jaritataca ou cangambá do sul, é um mustelídeo do grupo dos gambás-fedorentos — não confundir com os gambás marsupiais brasileiros. Pretão com duas faixas brancas no dorso, defende-se lançando um líquido de odor intenso pelas glândulas anais. Vive em campos e escava o solo em busca de insetos.

Características físicas

O corpo mede cerca de 30 a 49 cm, mais cauda peluda de 13 a 29 cm, e o peso vai de 1 a 3 kg; machos são maiores que as fêmeas. A pelagem é negra ou marrom-escura, com duas listras brancas que podem ou não se unir na cabeça. O nariz é grosso e nu, adaptado a revolver terra, e as unhas dianteiras são longas.

Habitat

Campos nativos, coxilhas, estepes, encostas com pedras, matas de galeria e áreas rurais. Abriga-se em tocas próprias, fendas de rocha e capões de arbustos. Ocupa desde baixadas secas até terrenos altos na parte andina da distribuição.

Distribuição geográfica

Sul e sudeste do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru e Chile. No Brasil está associado sobretudo ao Pampa e a campos de altitude do Sul e do Sudeste, em várias subespécies descritas ao longo do continente.

Alimentação

Come principalmente insetos e suas larvas, além de aranhas, minhocas, pequenos vertebrados, ovos e frutos. Escava o solo com o nariz e as unhas, deixando pequenas covas cônicas que denunciam sua passagem.

Comportamento

Noturno e crepuscular, solitário fora da reprodução. Anda devagar e não foge em velocidade: diante de ameaça, ergue a cauda, bate as patas e, se insistirem, dispara a secreção. Essa lentidão explica a alta mortalidade em estradas.

Reprodução

A ninhada nasce na primavera ou no verão, em toca forrada de vegetação. São em geral poucos filhotes, criados pela fêmea. Os jovens acompanham a mãe em forrageios noturnos antes de dispersar.

Longevidade

Costuma viver poucos anos na natureza; em cativeiro há registros que passam de 10 anos.

Papel ecológico

Predador de invertebrados de solo, com efeito local sobre larvas de besouros e outras pragas de pastagem. As covas de forrageio revolvem o solo superficial. É presa ocasional de aves de rapina grandes e de felinos, apesar da defesa química.

Estado de conservação

Menos Preocupante na avaliação global da UICN, dada a ampla distribuição. A revisão taxonômica do gênero ainda está pendente, o que significa que limites entre populações podem mudar com novos estudos. Presente nos campos do Sul e em áreas abertas do Sudeste. Não figura entre as espécies mais ameaçadas, mas é vítima frequente de atropelamento em rodovias gaúchas.

Principais ameaças

Atropelamentos, perseguição por causa do odor e por suspeita de ataque a galinheiros, cães, conversão de campo nativo e uso de inseticidas que reduzem a base alimentar.

Curiosidades

Ao contrário do que muita gente pensa, o jato não é urina: é uma secreção de glândulas específicas, com compostos sulfurados. Os nomes populares variam muito pelo país, o que faz do nome científico a única referência segura em fichas de fauna.

Fontes consultadas

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