Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Raposa-do-campo: paisagem da Cerrado ao fundo e silhueta esquemática do grupo mamíferos

Mamíferos · Cerrado

Raposa-do-campo

Lycalopex vetulus

Alimentação
Onívoro
Conservação (UICN)
LC — Menos preocupante
Publicação
Última atualização

Descrição

A raposa-do-campo, ou raposinha-do-campo, é um canídeo de pequeno porte endêmico do Brasil. Distingue-se do graxaim por focinho curto, dentes menores e dieta em que cupins e insetos têm peso grande. É um predador-insetívoro típico do Cerrado.

Características físicas

Pesa em geral 2,5 a 4 kg. A pelagem é acinzentada, com faixas escuras nas pernas e cauda. O crânio é curto em comparação com outros Lycalopex. As orelhas são relativamente grandes, adequadas à termorregulação e à detecção de presas.

Habitat

Cerrado aberto, campos e áreas de transição com Caatinga. Usa cupinzeiros e tocas para abrigo. Tolera mosaicos agropecuários com remanescentes, mas desaparece de lavouras contínuas.

Distribuição geográfica

Endêmica do Brasil, com núcleo no Cerrado do Brasil Central e ocorrências em transições para a Caatinga e para o Pantanal. Não ocorre na Amazônia contínua nem no Pampa típico.

Alimentação

Onívora com forte componente de insetos, especialmente cupins e gafanhotos. Também come frutos, roedores e aves. A dieta insetívora diferencia a espécie de raposas mais generalistas do Sul.

Comportamento

Noturna e crepuscular, em geral solitária ou em casal. Desloca-se por trilhas em campo limpo. Vocalizações são menos conspícuas que as do lobo-guará.

Reprodução

A reprodução concentra-se na estação seca em várias áreas estudadas. A ninhada é pequena, com filhotes criados em tocas.

Longevidade

Estimada em cerca de 8 a 10 anos na natureza, com dados ainda limitados.

Papel ecológico

Consome grandes quantidades de cupins e pode influenciar localmente essas colônias. Não compete diretamente com o lobo-guará, que usa presas e frutos maiores.

Estado de conservação

A UICN avalia como Menos Preocupante. Mesmo assim, a perda do Cerrado reduz área de vida. Estudos genéticos e ecológicos de universidades do Brasil Central acompanham a espécie. Endêmica do Brasil e ainda relativamente ampla no Cerrado; a conversão do bioma é a ameaça estrutural.

Principais ameaças

Conversão do Cerrado, atropelamentos, perseguição e doenças de cães domésticos.

Curiosidades

É o único canídeo endêmico do Brasil. O nome científico vetulus refere-se à aparência “velha” do focinho curto, segundo a descrição original do século XIX.

Fontes consultadas

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