Descrição
O pato-mergulhão é a única espécie do gênero Mergus no hemisfério sul e uma das aves aquáticas mais ameaçadas do mundo. Vive em rios de água clara, rasa e corrente do Cerrado, onde caça peixes mergulhando. A dependência de água limpa faz da espécie um indicador direto da saúde de nascentes e cabeceiras.
Características físicas
Mede cerca de 50 cm. A plumagem é escura, com cabeça e pescoço de brilho esverdeado, dorso acinzentado e um topete de penas finas presente nos dois sexos. O bico é longo, estreito e serrilhado nas bordas, adaptado a segurar peixes escorregadios. As pernas são recuadas no corpo, o que favorece o mergulho.
Habitat
Trechos de rios encachoeirados, com água transparente, fundo de pedra e mata ciliar preservada. Usa ocos de árvores e fendas de rocha para nidificar. Não ocupa reservatórios turvos nem rios assoreados.
Distribuição geográfica
Historicamente presente no Brasil, na Argentina e no Paraguai, nas bacias do São Francisco, do Paraná-Paraguai e do Tocantins. Hoje os registros confirmados concentram-se no Brasil central, em Minas Gerais, Goiás e Tocantins, com monitoramento em áreas como Serra da Canastra, Chapada dos Veadeiros e Jalapão.
Alimentação
Piscívoro. Persegue peixes pequenos debaixo da água, em mergulhos curtos e repetidos, e complementa a dieta com insetos aquáticos e larvas. A caça depende de visibilidade: em água turva, a técnica deixa de funcionar.
Comportamento
Vive em casais territoriais que defendem trechos longos de rio ao longo do ano. É arisco e reage à aproximação de embarcações e banhistas. Os casais deslocam-se nadando e voando rente à água, entre corredeiras.
Reprodução
Nidifica em cavidades próximas ao rio. Os filhotes deixam o ninho poucos dias após a eclosão e acompanham os pais na correnteza, o que os expõe a predadores e a variações bruscas de vazão.
Longevidade
Não há série demográfica longa publicada que permita afirmar uma longevidade média confiável para a espécie na natureza.
Papel ecológico
Predador de peixes de cabeceira. A permanência de casais sinaliza rios com água limpa, mata ciliar e fauna aquática íntegra — condições cada vez mais raras no Cerrado convertido.
Estado de conservação
Criticamente em Perigo desde a década de 1990. O ICMBio mantém um Plano de Ação Nacional específico, com monitoramento de casais, proteção de cabeceiras e trabalho junto a proprietários rurais. Parques nacionais e estaduais abrigam a maior parte dos registros atuais. Criticamente em Perigo. Estimativas indicam menos de 250 indivíduos adultos na natureza, com o núcleo mais conhecido na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais.
Principais ameaças
Assoreamento e turbidez por desmatamento e mineração, pequenas centrais hidrelétricas, captação de água, turismo desordenado em cachoeiras e uso de agrotóxicos nas cabeceiras.
Curiosidades
As serras do bico funcionam como uma pinça: não são dentes, e sim lamelas rígidas. A espécie chegou a ser considerada possivelmente extinta em partes da distribuição antes de redescobertas em rios do Brasil central.
Fontes consultadas
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