Ficha da espécie

Página individual com descrição, ecologia, conservação e fontes consultadas.

Prancha em estilo de caderno de campo de Papagaio-de-cara-roxa: paisagem da Mata Atlântica ao fundo e silhueta esquemática do grupo aves

Aves · Mata Atlântica

Papagaio-de-cara-roxa

Amazona brasiliensis

Grupo
Aves
Alimentação
Frugívoro
Conservação (UICN)
NT — Quase ameaçado
Publicação
Última atualização

Descrição

O papagaio-de-cara-roxa é endêmico da faixa litorânea da Mata Atlântica, entre São Paulo e Santa Catarina. Dorme e nidifica em ilhas e manguezais e cruza a baía todos os dias para se alimentar na floresta continental. Esse vaivém diário tornou a espécie um símbolo da conservação do complexo estuarino de Paranaguá e Cananeia.

Características físicas

Mede cerca de 35 a 37 cm. A plumagem é verde-escura, com fronte e loros vermelhos, coroa arroxeada e face azulada. A cauda verde termina em faixa vermelha larga com pontas amareladas. Há vermelho na dobra da asa, visível em voo.

Habitat

Restingas, manguezais, ilhas costeiras e florestas de encosta próximas ao mar. Nidifica em ocos de árvores de restinga e caxeta. A conexão entre ilhas de dormida e áreas de alimentação no continente é parte do habitat, não um detalhe.

Distribuição geográfica

Endêmico do Brasil, em uma estreita faixa costeira do sul de São Paulo, do litoral do Paraná e do norte de Santa Catarina, incluindo ilhas. A área total de ocupação é pequena, o que mantém a espécie sob atenção mesmo com população em recuperação.

Alimentação

Frugívoro. Come frutos, sementes, flores e brotos de espécies de restinga e de mata litorânea, com destaque para palmeiras e mirtáceas. A dieta muda com a frutificação ao longo do ano.

Comportamento

Extremamente gregário nos deslocamentos: bandos ruidosos atravessam a baía ao amanhecer e retornam ao pôr do sol. Casais mantêm fidelidade a cavidades. As vocalizações em voo permitem censos por contagem em rotas fixas.

Reprodução

Nidifica em ocos naturais, com poucos ovos por postura. A escassez de cavidades adequadas é um limitante conhecido, o que levou ao uso de caixas-ninho em projetos de conservação. O saque de filhotes para o tráfico foi historicamente a maior perda.

Longevidade

Papagaios do gênero Amazona podem viver várias décadas em cativeiro; para esta espécie na natureza não há série publicada suficiente para afirmar uma média.

Papel ecológico

Dispersor e predador de sementes em restingas e manguezais. A dependência de ocos faz da espécie um indicador de florestas litorâneas com árvores maduras.

Estado de conservação

Quase Ameaçado na UICN. A recuperação é atribuída à fiscalização, à proteção de sítios de nidificação, ao uso de caixas-ninho e ao trabalho contínuo de organizações locais junto a comunidades caiçaras, em áreas protegidas do litoral paranaense e paulista. Quase Ameaçado após recuperação populacional. Nos anos 1990 a população estimada estava abaixo de dois mil indivíduos; contagens mais recentes indicam vários milhares, resultado de proteção de ninhos e combate ao tráfico.

Principais ameaças

Tráfico de filhotes, ocupação imobiliária do litoral, corte de árvores com ocos, perturbação em ilhas de dormida e caça esportiva histórica.

Curiosidades

O nome científico brasiliensis não indica que a espécie ocorra em todo o Brasil: ela é uma das aves brasileiras com distribuição mais estreita. O deslocamento diário entre ilha e continente é um dos espetáculos ornitológicos mais previsíveis do litoral sul.

Fontes consultadas

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