Descrição
O sapo-pingo-de-ouro é um anuro minúsculo, de cor laranja intensa, que vive na serapilheira de montanhas da Mata Atlântica do Sudeste. A coloração aposemática avisa sobre tetrodotoxina na pele. Os adultos medem cerca de 1,5 a 2 cm e caminham mais do que saltam.
Características físicas
O corpo é curto, com número reduzido de dedos funcionais em relação a anuros típicos. A pele é lisa e laranja. Há placas ósseas dorsais em vários Brachycephalus; em B. ephippium essas estruturas fazem parte da descrição clássica da espécie. Os olhos são relativamente grandes.
Habitat
Serapilheira úmida de florestas montanas da Serra do Mar e da Mantiqueira, em trechos de Mata Atlântica do Sudeste. Depende de umidade constante e de folhiço íntegro. Não vive em baixada seca.
Distribuição geográfica
Brasil, em serras do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com registros clássicos em florestas de altitude do Sudeste. O gênero Brachycephalus tem muitas espécies de distribuição pontual; B. ephippium é das mais conhecidas e de área relativamente maior.
Alimentação
Alimenta-se de microartrópodes da serapilheira, como ácaros e colêmbolos. O tamanho da boca limita a dieta a presas mínimas.
Comportamento
Diurno, o que é incomum entre muitos anuros florestais. Caminha sobre o folhiço. Em dias secos recolhe-se sob folhas. O manuseio é desaconselhado por causa da toxina cutânea.
Reprodução
Desenvolvimento direto: os ovos são terrestres e deles saem juvenis, sem girino aquático. Isso liga a espécie à umidade do solo, não a poças.
Longevidade
Não há estimativa robusta de longevidade média publicada para populações selvagens desta espécie.
Papel ecológico
Predador de microfauna do folhiço. A toxina o protege de parte dos predadores, mas não da dessecação nem da perda da floresta.
Estado de conservação
A UICN avalia B. ephippium como Menos Preocupante. O dado não se estende a congêneres de cumeeira única, vários deles ameaçados. A preservação de florestas de altitude beneficia o grupo inteiro. Menos Preocupante na avaliação global; várias espécies do mesmo gênero, porém, são microendêmicas e ameaçadas — a ficha não deve ser generalizada a todo o gênero.
Principais ameaças
Desmatamento de encostas, pisoteio de serapilheira, coleta ilegal para terrário, mudanças no nevoeiro e no regime de chuvas de montanha.
Curiosidades
A cor laranja não é pigmento metálico: é aviso químico. Trabalhos brasileiros isolaram tetrodotoxina em Brachycephalus, a mesma classe de toxina conhecida no baiacu, em doses e contextos distintos.
Fontes consultadas
- IUCN Red List — Brachycephalus ephippium
- AmphibiaWeb — Brachycephalus ephippium
- ICMBio — anfíbios da Mata Atlântica
Encontrou um erro factual? Use a página de correções.